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Bruna Tavares: “empreender não é fácil, mas é uma alternativa viável”

O empreendedorismo se torna, cada vez mais, um caminho atrativo, mas saber exatamente onde se quer chegar é fundamental para evitar o fracasso
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Nathalia Marques

Com a lenta recuperação da economia brasileira, um fenômeno já conhecido volta ao mercado: o empreendedorismo por necessidade. Somente no primeiro semestre de 2018, 1,2 milhões de empresas foram abertas, número recorde nos últimos oito anos, segundo a Serasa Experian.

Empreender por necessidade não é algo novo em nosso país. Contudo, o fenômeno volta com força e, diante disso, Bruna Tavares, professora da LABA Brasil, alerta que “empreender não é fácil, mas é uma alternativa viável”.

Só que essa alternativa exige estudo, planejamento e estratégia. Caso contrário, o negócio poderá fracassar. Um estudo realizado pelo Sebrae constatou que boa parte dos novos empreendedores não colocam em prática os requisitos para empreender com sucesso. O resultado disso é que, somente em 2013, 24,4% das micro e pequenas empresas fracassaram e fecharam as portas em menos de dois anos.

Empreender com sucesso

Abrir uma empresa é muito mais do que criar um CNPJ e colocar produtos ou serviços no mercado. Um negócio de sucesso exige que o empreendedor conheça o mercado, faça pesquisa, estude e tenha estratégias.

“... Se acha normal não fazer um planejamento. Primeiro tirar o CNPJ e amanhã pensa no que faz depois. Como se eu fosse começar a cozinhar um bolo colocando o leite no forno, depois correr para comprar a farinha e no final decidir que vai sair uma lasanha. Não tem como dar certo!”, enfatiza a professora que é mestre em controladoria e especialista em orientar normas e políticas técnicas para a área de contabilidade e finanças das empresas.

Mas, afinal, diante dos dados apresentados, como ir na contramão? Como obter sucesso em um empreendimento? Foi algumas das dúvidas que esclarecemos com a professora.

Confira a entrevista completa com a mestre Bruna Tavares

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LABA BRASIL:  Bruna, você é mestre em controladoria e finanças, atua há mais de 10 anos de em contabilidade e é especialista em orientar normas e políticas técnicas que são essenciais para o desenvolvimento da área de contabilidade e finanças das empresas.

Você poderia contar um pouco mais sobre sua jornada profissional?

Bruna Tavares: Iniciei minha trajetória como trainee de auditoria. A experiência foi extremamente importante para formar um background. Foi a primeira experiência referente a parte técnica. Na auditoria, é extremamente importante seguir uma metodologia e se fazer compreensível. Também me permitiu conhecer diversos tipos de empresas, com diversos organogramas, e inseridas em diferentes contextos.

Contudo, eu, na posição de auditora auditava, validava a informação de acordo com a legislação vigente e preceitos de contabilidade. Eu precisava enfrentar outro desafio e aprender com a informação que conferia como auditora.

Sou muito grata por ter iniciado este novo desafio na Brasfanta, uma holding brasileira que possui diversas indústrias no mercado nacional. Trabalhei por seis anos tendo contato com diferentes contextos operacionais, assim como reestruturações societárias como cisões, fusões e aquisições.  Foram muitas vivências que me tornaram uma profissional completa.

Em 2015, aceitei outro desafio e assumi a posição de gestão frente ao departamento contábil, onde atuo até hoje. Atualmente, tenho a visão de como os gestores absorvem as informações contábeis e sua importância junto à estratégia da empresa. Na posição de líder, participei como líder ou como membro de diversos projetos, da implementação de novas práticas gerenciais e criação de processos.

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LABA BRASIL:  Durante estas experiências, você conseguiu identificar dificuldades, em rotinas contábeis e tributárias, que são comuns nas empresas? Caso sim, quais são essas dificuldades?

B.T.: As dificuldades são inúmeras. A principal é falta de informação, seja ela total ou parcial. Não é que não exista informação, mas ela é incompleta, fazendo com que se perca tempo para conseguir a totalidade. A falta de informações cria ruídos e leva os gestores a tomarem decisões equivocadas.

No outro espectro, temos o excesso de informações. Isso gera uma ineficiência tanto produtiva, para se entender o que se precisa efetivamente, como de interpretação, pois há tantos dados que se torna exaustivo entender o contexto.

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LABA BRASIL:  Atualmente, passamos por um momento econômico complicado no Brasil. Em abril, por exemplo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a expectativa de crescimento econômico do país para 2,1%.

Você acredita que uma boa gestão econômica, principalmente, para pequenas e médias empresas, pode ser um caminho viável para ir na contramão da economia e conseguir sucesso financeiro?

B.T.: O brasileiro é empreendedor, curioso e busca soluções dos problemas. As pequenas e médias empresas são as maiores geradoras de empregos e, consequentemente, aquecem a economia por meio da criação de renda.

Entre janeiro a julho de 2018, as pequenas empresas geraram 395,3 mil postos de empregos formais. Enquanto as grandes empresas geraram 40,7 mil empregos formais, segundo a pesquisa Dados CAGED, do Sebrae.

Então, os empreendedores podem incrementar a taxa de crescimento do PIB no país. Contudo, não podemos esquecer que esses resultados positivos poderiam ser melhores. De acordo com o IBGE, em 2016, 648,5 mil empresas foram abertas, enquanto 719,6 mil foram fechadas no país.

As pesquisas do Sebrae indicam que as principais razões de encerramento de empresas são: planejamento prévio; gestão empresarial e comportamento empreendedor. Portanto, empreender não é fácil, mas é uma alternativa viável.

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LABA BRASIL:  O Sebrae Nacional realizou um estudo, em 2013, e constatou que 24,4% das micro e pequenas empresas fracassam e fecham as portas em menos de dois anos. O estudo ainda constatou que parte dos empreendedores não levantam informações sobre o mercado e não realizam um plano de negócio.

Você poderia explicar, para os nossos leitores, a importância de ter um plano estratégico de negócio?

B.T.: Creio que a melhor resposta não é minha, mas de uma passagem de Alice no país das Maravilhas:

“O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui? Isso depende muito de para onde você quer ir, respondeu o Gato. Não me importo muito para onde, retrucou Alice. Então, não importa o caminho que você escolha, disse o Gato”.

O que quero dizer é que o plano dá ao gestor o suporte para identificar se os negócios estão indo para o caminho adequado. Permite a identificação de problemas de forma mais rápida e o aproveitamento de oportunidades.

Outro exemplo estapafúrdio é quando você vai cozinhar algo que nunca fez na vida. Se costuma seguir uma receita e, neste caso, a receita é para o cozinheiro como o plano de negócios é para o empreendedor.

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Após decidir qual receita seguir, se confere se todos os ingredientes estão disponíveis e se inicia o processo de cozinhar com calma, acompanhando o andamento e as etapas descritas na receita. Não estou dizendo que seguir a receita vai, automaticamente, fazer o prato ser o melhor, mas diminui muito as chances de imprevistos.

Tem gente que cria receitas saborosas sem receita nenhuma, faz com o que tem, mas a chance de não dar certo, se você nunca fez, é bem elevada. Agora com o empreendedorismo: você dedica seu tempo pessoal e seu dinheiro. Se acha normal não se fazer um planejamento.

Primeiro tirar o CNPJ e amanhã pensar no que fazer depois.  Como se eu fosse começar a cozinhar um bolo colocando o leite no forno, depois correr para comprar a farinha, e no final decidir que vai sair uma lasanha. Não tem como dar certo.

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LABA BRASIL:  Sabemos que cada empreendimento conta com suas particularidades para conquistar o sucesso, mas, de forma geral, quais são as características comuns das empresas que conquistam sucesso econômico?

B.T.: As principais características dos empreendedores bem-sucedidos são: resiliência, conhecimento do mercado em que se está inserido e a vontade contínua de aprendizado.

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